Produção de feno
26/01/2017

Matéria exibida no Programa Bahia Rural (TV Bahia/Rede Globo de Televisão) 09/11/2008

 

O NEPPA/UNEB PESQUISA PLANTAS FORRAGEIRAS PARA PRODUÇÃO DE FENO NA REGIÃO OESTE DA BAHIA E CONTRIBUI PARA AUMENTAR AS ALTERNATIVAS DE ALIMENTAÇÃO DO GADO NA SECA

Na época chuvosa do ano o gado tem disponibilidade de forragem nas pastagens, que lhe confere os nutrientes necessários para o crescimento, a reprodução e a produção. Entretanto, durante o período seco do ano o gado emagrece e há sensível redução dos índices produtivos, em virtude da deficiência quantitativa e qualitativa da dieta.

A conservação de forragens fornece provisões de alimento necessário à criação durante o inverno e períodos críticos das pastagens. Essa forragem é referida como feno, silagem, ou pré-secado, dependendo do nível de umidade e das práticas de colheita.

A conservação de forrageiras através da fenação é pouco praticada por produtores, principalmente no nordeste do Brasil, onde a grande maioria dos pequenos criadores poderia utilizar a fenação como pratica para minimizar os efeitos negativos provocados pela estacionalidade na produção forrageira. A falta de tradição concorre para a resistência do pecuarista em adotar o feno como reserva estratégica de alimento, situação que tende a mudar, na medida em que o grau de aperfeiçoamento técnico dos agricultores é incrementado.

O princípio básico da fenação resume-se na conservação do valor nutritivo da forragem através da rápida desidratação, uma vez que a atividade respiratória das plantas, bem como a dos microrganismos, é paralisada. Assim, a qualidade do feno está associada a fatores relacionados com as plantas que serão fenadas, às condições climáticas ocorrentes durante a secagem e ao sistema de armazenamento empregado.

Na região oeste da Bahia, há pouca tradição de conservar forragem na forma de feno, apesar de apresentar condições climáticas e produtivas para aumentar sua utilização, seja pelos agricultores familiares, ou exploração empresarial, já que o feno pode ser comercializado.

Grande número de espécies forrageiras pode ser utilizadas na produção do feno, que é um dos mais versáteis sistemas de conservação de forragem, pois pode ser armazenado por longos períodos com pequenas alterações no valor nutritivo, atendendo o requerimento nutricional de diferentes categorias animais.

Para produzir feno de boa qualidade deve-se utilizar plantas com alto valor nutritivo e características adequadas para fenação. Uma das principais características da planta adequada para fenar é a facilidade de desidratação. Vários fatores relacionados à estrutura das plantas influenciam a taxa de perda de água, destacando-se: relação folha/colmo, comprimento do colmo e largura da folha. A espessura do colmo pode influenciar negativamente na taxa de secagem da gramínea, haja vista que esta fração apresenta maior quantidade de água e menor rapidez na perda de água, comparada à fração folha e planta inteira.

O Núcleo de Estudo e Pesquisa em Produção Animal da Universidade do Estado da Bahia, sob coordenação do Prof. Dr. Danilo Gusmão, pesquisou seis gramíneas forrageiras visando à produção de feno. O trabalho de foi conduzido no Campo Agrostológico e as determinações analíticas foram realizadas nos laboratórios do curso de Agronomia do campus IX.

A pesquisa concluiu que a fenação é uma boa alternativa para conservação de forragem na região oeste da Bahia, principalmente utilizando forrageiras do gênero Cynodon (como Tifton, coast-cross), mas também pode ser plenamente utilizado o capim-massai e, com alguma restrição, o capim-andropógon.

O capim-massai apresentou ótimos resultados considerando a potencialidade para produção de feno, conjuntamente com os capins do gênero Cynodon, os quais apresentaram perfilhos numerosos, finos e leves, apresentando a vantagem de ser propagado via sementes, enquanto as gramas Cynodon são propagadas vegetativamente. O capim-andropógon, considerando a grande ocorrência dessa forrageira na região oeste da Bahia, pode ser usado para fenação, com algumas restrições, enquanto os capins Tanzânia e xaraés foram mais restritivos devido à espessura do colmo e a velocidade de desidratação.

A pesquisa e a disseminação de informações que possam auxiliar os produtores na convivência com a seca são contribuições valorosas para o desenvolvimento tecnológico, econômico e social da região nordeste e, em especial, do oeste da Bahia.

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