Projeto Esperança: UNEB lado a lado com o produtor rural na convivência com a seca
28/01/2017

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O Projeto Esperança pretende ser um agente transformador da realidade de desolação que assola os produtores rurais durante a seca, fornecendo subsídios diretos para que isso aconteça, através de ações diretas de distribuição de plantas para reserva estratégica de forragem, capacitação dos produtores, implantação e difusão de tecnologias sociais de convivência com a seca e ações indiretas por meio do estímulo da replicação nas demais comunidades.

Baixe aqui a cartilha técnica do Projeto Esperança.

 

Projeto Esperança em ação

Primeira ação desse projeto de intervenção na realidade local. Tudo para ajudar ao produtor rural a atenuar os efeitos danosos da estiagem e melhorar a alimentação dos animais. Distribuição de mudas de amendoim forrageiro cv. Belmonte para plantio nas excelentes baixadas de Serra Dourada-BA.
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Mais uma ação deste projeto fundamental. Dessa vez, os estudantes da UNEB foram diretamente envolvidos com essa proposta do “Agrônomo do Povo” de ajudar as pessoas. O contato direto com os agricultores familiares para sentir no peito quanto é importante fazer com que as informações cheguem para quem mais precisa. Além de levar preciosa informação, o Projeto Esperança está intervindo na realidade, atenuando os efeitos danosos da estiagem através da distribuição gratuita de plantas forrageiras melhoradas a fim de popularizar a poupança de forragem. Dessa vez, foi o capim Tifton-85, que serve para o pastejo direto e para produção de feno.

Local: Assentamento em Catolândia-BA

 

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PROJETO ESPERANÇA: UNEB LADO A LADO COM O PRODUTOR RURAL NA CONVIVÊNCIA COM A SECA

A produção anual de forragens nas pastagens tropicais ou mesmo nas pastagens nativas (caatinga, cerrados) apresenta duas fases distintas a depender da época do ano.

Na época chuvosa do ano, normalmente de outubro a março, há boa disponibilidade de forragem, sem limitações marcantes ao desempenho animal. Todavia, na época seca, que normalmente ocorre de abril a setembro, além da redução abrupta na produção de forragem, que afeta negativamente a capacidade de suporte, ocorre acentuada queda no valor nutritivo.

Para os produtores rurais, o período seco é marcado por grandes prejuízos, com a queda de peso dos animais, na reprodução e até a morte dos mesmos quando a deficiência nutricional é muito grave.

Portanto, para o período seco do ano, deve-se equalizar a demanda e oferta de forragem, planejar em termos reserva estratégica e conservação de forragem para suprir o déficit necessário à alimentação do rebanho.

Somam-se esforços para expandir a cultura da “Poupança de forragem” entre os produtores seguindo as orientações técnicas rigorosamente para produzir o máximo de forragem com qualidade e menor custo.

Após anos trabalhando na capacitação dos produtores rurais e verificar que as técnicas ainda são pouco utilizadas, movido pelo desejo de melhorar as condições de vida dos agricultores familiares nasceu a iniciativa de intervir na realidade local através da distribuição de mudas de plantas forrageiras melhoradas e da difusão das tecnologias empregadas para se ter a poupança de forragem.

 

2.0 Poupança de forragem

São várias as alternativas existentes para reserva estratégica ou conservação de forragem. Todos os recursos forrageiros existentes na propriedade e na região devem ser utilizados racionalmente. Dentre elas podem ser citadas:

  • Reserva de pasto: pastagem vedada para ser usada na época seca + suplementação com proteinados ou misturas múltiplas no cocho
  • Silagem: forragem úmida conservada pela fermentação ácida sem a presença de oxigênio
  • Feno: forragem com valor nutritivo cortada e desidratada.
  • Capineira: capim-elefante cultivado para alimentação do gado na seca.
  • Leguminosas forrageiras: plantas forrageiras de alta qualidade.
  • Cana-de-açúcar: reserva estratégica de alta produção.
  • Palma forrageira: cultura altamente adaptada ao semiárido.
  • Mandioca: cultura muito difundida que pode ser utilizada quase integralmente, ou os subprodutos do processamento para farinha.
  • Tratamento de palhadas e resíduos de baixa qualidade: restos de culturas agrícolas que podem ser tratados para melhoria do valor nutritivo.
  • Irrigação de pastagens: instalação de sistemas de irrigação dimensionados tecnicamente para manter a pastagem produtiva.
  • Uso de subprodutos e resíduos agroindustriais: co-produtos ou resíduos do processamento agroindustrial.

 

Pastagem reservada + suplemento de cocho

A alternativa de mais baixo nível tecnológico é a reserva de pasto. Aproximadamente 4 meses antes da utilização programada, são retirados os animais da área e o capim fica em livre crescimento, acumulando massa para uso na seca. Contudo, o valor nutricional dessa forragem é baixo, com teores de proteína entre 2 e 3%, sendo necessário correção, no mínimo, para 7%. Portanto, deve-se utilizar a mistura mineral acrescida de uma fonte de proteína e, muitas vezes, de energia. O sal proteinado pode apresentar até 30% de ureia, enquanto a mistura múltipla é o sal proteinado mais uma fonte de energia, como quirera de milho.

 

Capineira de capim-elefante

 

O capim-elefante (Pennisentum purpureum), conhecido também como capim-Napier, é uma espécie forrageira de alta produção, porém muito exigente em fertilidade do solo.

As capineiras são muito difundidas entre os produtores. Infelizmente, a grande maioria erra no manejo deixando o capim crescer livremente para ser cortado e picado na época seca, quando apresenta valor nutricional extremamente baixo.

A melhor forma de conservar o capim-elefante para a poupança de forragem é fazer silagem. O manejo recomendado é de cortes a cada 60 dias, ou 1,80m, nas “águas” e a cada 90 dias, ou 1,20m na seca, o que for atingido primeiro. Contudo, a qualidade fermentativa da silagem de capim é limitada pela alto teor de umidade, alto poder tampão e baixo teor de carboidratos solúveis.

Diversos trabalhos conduzidos pelo NEPPA têm demonstrado a melhoria da qualidade da silagem de capim-elefante quando é acrescido no momento da ensilagem os aditivos secos e nutritivos.

Na prática, a adição de 100 kg de fubá de milho, ou 50 kg de fubá + 50 kg de palhada triturada para cada tonelada de capim-elefante é uma das práticas mais simples de serem replicadas e utilizada pelos produtores.

 

Cana-de-açúçar

A cana-de-açúcar é uma planta forrageira para corte detentora de excelentes vantagens para suplementação estratégica no período de escassez de pastagem para o rebanho, tais como:

  • facilidade na formação e manutenção da cultura;
  • alta produção de massa forrageira – 100 toneladas de massa verde/ha;
  • baixo custo de produção, tendo em vista sua alta produtividade e perenidade (cinco cortes);
  • valor nutritivo constante ou melhorado com a maturidade, contrariamente a outras gramíneas;
  • utilização in natura, mesmo no período seco do ano. Não necessita de processo de conservação;
  • cultura de menor grau de riscos, com exceção do fogo;
  • colheita facilitada.

 

O teor energético da cana-de-açúcar é elevado, devido aos açúcares solúveis. Entretanto a sua fibra é de baixa digestibilidade e o teor de proteína é bem baixo, cerca de 2-3%. Assim, faz-se necessário a suplementação proteica para esse volumoso. A fonte mais barata de nitrogênio é realizada pelo fornecimento da mistura de 9:1 ureia:sulfato de amônio, na quantidade de 1% da massa verde. Contudo, o uso da ureia deve ser precedido de cuidados técnicos. Na primeira semana de fornecimento, é utilizada 1/3 da dose, na segunda 2/3 e a partir da terceira, dose cheia.

O máximo de ureia que o bovino pode consumir sem problemas de intoxicação é de 40 g/100 kg de peso vivo.

 

Subprodutos e resíduos agroindustriais

A produção agrícola e industrial brasileira de grãos é uma grande fornecedora de subprodutos e resíduos, alguns desses passíveis de utilização como fonte de volumosos e concentrados para bovinos.

Os subprodutos mais disponíveis na região oeste da Bahia são advindos do processamento do milho, sorgo, milheto, arroz (farelo, casca), algodão (caroço, torta, farelo, resíduo de algodoeira) e soja (farelo, resíduo da pré-limpeza), mandioca (raspa, casca, cruera, parte aérea).

 

Tratamento de palhadas

As palhadas restolhos de culturas ou oriundas do processamento agrícola podem ser utilizadas na alimentação de bovinos. Devido ao seu baixo valor nutritivo, existem tratamentos químicos e biológicos para melhora-lo, como demonstrado por inúmeros trabalhos do NEPPA.

Entre essas palhadas e cascas, podem ser citados o resíduo de algodoeira, casca de arroz, palhadas de milho e feijão.

Na prática, faz-se um monte de palha com lona plástica em baixo e por cima, como se fosse um envelope. Para cada 100 kg de palha, adiciona-se 4 kg ureia diluída em 25L de água e 500 g de farelo de soja. Fecha-se o “envelope” por 30 a 40 dias. Ao se abrir, deixar o material tomar ar durante pelo menos 3 dias para diminuir o forte cheiro de amônia.

O ideal é que esse tipo de material não ultrapasse 50% da ração total. Nunca se pode esquecer sobre a adaptação lenta e gradativa dos animais a nova ração.

 

Silagem

Ensilagem é o processo de conservação de forrageiras sob condições anaeróbicas, controladas em recipientes específicos (silos), em que o produto final, a silagem, guarda os princípios nutritivos do material original.

Independentemente de ocorrer o processo algum tipo de perda, sua magnitude poderá está relacionada com a eficiência da conservação. Somente forragens de boa qualidade resultarão em silagem de boa qualidade. Durante o processo da ensilagem, importantes modificações ocorrem na massa que se for adequadamente manipulada resultará em fermentações desejáveis e, consequentemente no menor volume de perdas possível. Os fenômenos ocorridos durante o processo de ensilagem passam por duas etapas distintas: a respiratória e a fermentativa. Após completo, ocorre uma estabilização do processo, cerca de 20 dias. Não havendo entrada de ar ou água, o material se conservará por longo período (anos).

As plantas ideais para ensilagem são: milho, sorgo e milheto, sem a retirada dos grãos, ou seja, planta integral. Para ensilagem de capim elefante, e outros capins, deve ser adicionado aditivos secos e nutritivos.

Escolhido o bom momento do corte da forrageira para ensilagem, a qualidade do produto final depende muito da compactação, tamanho de partícula e vedação, tendo em vista a necessidade de se eliminar o ar da massa ensilada.

 

Fenação

Fenação é o processo de conservação de farragens pela dessecação natural e ou artificial em que o teor de umidade inicial da ordem de 65 a 80% é reduzido para 12 a 18%, conservando assim quase todos os princípios nutritivos da planta forrageira. O produto resultante desse processo denomina-se feno.

Na agricultura familiar, a facilidade de se produzir o feno é muito grande, pois se utilizada de uma foice para cortar o capim e o ancinho para virar a forragem até a secagem. Para enfardar, pode-se usar um prensa adaptada.

 

Leguminosas forrageiras

As leguminosas forrageiras (de porte herbáceo, arbustivo ou arbóreo submetidas a podas) podem ser utilizadas consorciadas com gramíneas ou como banco de proteína, representando interessante fonte de alimento, tanto do ponto de vista nutricional, pois possuem alto teor de proteína e digestibilidade, quanto estratégico, para reserva de alimento na época seca do ano, em virtude da queda mais lenta da qualidade, da permanência verde por mais tempo em espécies arbustivas e arbóreas proporcionado pelo sistema radicular mais profundo. Outras vantagens do uso de leguminosas são: a fixação de nitrogênio para a gramínea em sistemas consorciados e reciclagem de nutrientes.

São indicadas as seguintes leguminosas: estilosantes (Stylosanthes spp.), calopogônio (Calopogonium mucunoides), soja perene (Neonotonia wightii), leucena (Leucaena leucocephala), guandu (Cajanus cajan) e amendoim forrageiro (Arachis pintoi), entre outras, devendo ser escolhidas de acordo adaptação às condições de solo, clima e adequar-se à gramínea em consórcio.

Entende-se como banco de proteína uma área mantida exclusivamente com leguminosas forrageiras, nas quais os animais têm acesso programado. Assim, pretende-se estabelecer um manejo adequado das plantas, permitindo maior persistência do estande e aproveitamento da forragem. A parte aérea pode ser cortada (a altura de corte depende da principalmente espécie), fornecida no cocho ou mesmo pastejada. Nesse caso, pode-se fazer uso de culturas intercalares visando à diminuição dos custos de implantação.

 

Mandioca

As raízes da mandioca possuem boa aceitabilidade e digestibilidade destacam-se como fonte de energia contendo alta concentração de amido, podendo ser utilizada como substituta do milho na alimentação dos animais.

As raízes de mandioca “mansa” poderão ser picadas e fornecidas in natura, porém as raízes de variedades para a indústria ou “bravas” antes de disponibiliza-la, é necessário fazer a desidratação, processo importante para conservar a qualidade das raízes depois de colhidas.  Devem ser lavadas, cortadas em pequenos pedaços (facilita a secagem e armazenamento), desidratadas (baixar o teor de umidade de 70% para no mínimo 14% nas raspas), após o processo de secagem, as raspas podem ser armazenadas a granel ou em sacos, nesse caso, o farelo apresenta maior vantagem, pois tem menor volume e é mais fácil de ser misturado a outros ingredientes.

A parte aérea também pode ser utilizada na dieta dos animais, é importante salientar que devido à alta concentração de ácido cianídrico (substância tóxica), somente deve ser fornecida depois de triturada e exposta ao sol por um período de no mínimo 24 horas.

 

Palma forrageira

Em regiões do semi-árido, a palma forrageira, é a base da alimentação dos ruminantes, pois é uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas e apresenta altas produções de matéria seca por unidades de área.

Normalmente a colheita ocorre com cerca de 1,5 a 2 anos ou mais, dependendo do desenvolvimento da cultura, a qual dependerá apenas das condições do solo e clima.

A palma é fatiada antes do fornecimento e devem ser adicionadas uma fonte de fibra e proteínas.

 

Irrigação de pastagens

Existem vários métodos de irrigação. A irrigação por aspersão se caracteriza por aplicar a lâmina de água na área total, por esse motivo é recomendada para pastagens, uma vez que, com boa implantação, a forrageira estará bem distribuída por toda área.

Com a utilização da irrigação e efetuando-se a divisão do pasto em piquetes de forma correta, adotando o pastejo rotacionado, o produtor terá maior controle sobre sua disponibilidade de alimento.

Alguns aspectos devem ser observados, são: o volume de água requerido para irrigação, a vazão, a quantidade de água no solo disponível a cultura, qualidade da água, entre outros. Procurar a orientação especializada para o dimensionamento e a orientação para o manejo da irrigação é o primeiro passo para o sucesso.

Para cana-de-açúcar tem sido utilizado o gotejamento, que é uma tecnologia que aumenta a produtividade e eleva a longevidade do canavial.

 

  • Objetivos
    • Objetivo geral

O Projeto Esperança pretende ser um agente transformador da realidade de desolação que assola os produtores rurais durante a seca, fornecendo subsídios diretos para que isso aconteça, através de ações diretas de distribuição de plantas para reserva estratégica de forragem, capacitação dos produtores, implantação e difusão de tecnologias sociais de convivência com a seca e ações indiretas por meio do estímulo da replicação nas demais comunidades.

 

2.2 Objetivos específicos

Atenuar os prejuízos que a estiagem provoca aos agricultores familiares.

Aumentar a capacidade de suporte dos rebanhos na seca, consequentemente contribuindo na geração de renda e no combate à fome.

Difundir tecnologias sociais comprovadamente de baixo custo e alta aplicabilidade em comunidades rurais.

Levar a parceria da UNEB às comunidades rurais no contexto sócio-econômico-ambiental a fim de contribuir para maior independência dos produtores por meio da manipulação de fatores-chave ao sucesso dos empreendimentos rurais.

 

3.0 Metodologia

Na primeira etapa do projeto, contemplada nesta proposta, as comunidades foco para o início do trabalho serão aquelas atendidas pelo Projeto do NEPPA-UNEB “Nosso Leite, Nossa Renda: a pecuária leiteira como ferramenta de transformação social”, pois tem atuação de técnico local, o produtor já está organizado em associações e em processo de capacitação, tem o contato prévio com a UNEB e recebe frequentemente a visita de nossa equipe.

Portanto o projeto será iniciado nos municípios baianos de: Angical, Catolândia e Wanderley (Território Bacia do Rio Grande), Serra Dourada (Território Bacia do Rio Corrente), Paratinga (Território Velho Chico). Em seguida, o projeto será ampliado para os outros municípios dos três territórios.

3.1 Ações diretas

3.1.1 Distribuição de plantas forrageiras para reserva estratégica de forragem

Os produtores receberão mudas que serão plantadas na sua propriedade nas áreas escolhidas em conjunto com a equipe do projeto, na época correta, seguindo todas as recomendações técnicas. São várias plantas que serão trabalhadas dependendo da localidade, entretanto algumas delas terão destaques e estão descritas abaixo:

Mudas de capim-Tifton

O capim-Tifton (Cynodon dactylon x Cydonon nenfluensis) foi melhorado nos Estados Unidos para apresentar alta relação folha/colmo, alta qualidade comprovada pelo elevado teor de proteína (18% PB) e digestibilidade (65%). As mudas de 10 cm serão coletadas inicialmente no Campo Agrostológico – Unidade Demonstrativa de Plantas Forrageiras do NEPPA-UNEB, que terá sua área ampliada, colocadas em bandejas de isopor com capacidade de 100 mudas cada uma. Essas bandejas serão mantidas no Viveiro da UNEB até o momento do transplantio. O capim-Tifton será utilizado para pastejo e produção de silagem ou, principalmente, feno, pois é um dos melhores capins para produção de feno. O feno será estocado para servir de ração para o gado na seca.

Mudas de amendoim forrageiro

O amendoim forrageiro (Arachis pintoi cv. Belmonte) foi melhorado pela CEPLAC na Bahia, tendo, como toda leguminosa forrageira, elevado teor de proteína (24% PB) e digestibilidade (65%). As mudas de 10 cm serão coletadas inicialmente no Campo Agrostológico da UNEB, que terá sua área ampliada, colocadas em bandejas de isopor com capacidade de 100 mudas cada uma. Essas bandejas serão mantidas no Viveiro da UNEB até o momento do transplantio. O amendoim forrageiro somente será distribuído à produtores que possuam baixadas úmidas, onde a planta se desenvolve muito bem.

Mudas de leucena

A leucena (Leucaena leucocephala) é uma leguminosa forrageira com alta persistência e resistência a seca. Possui elevado teor de proteína (25% PB) e digestibilidade (65%). As mudas serão produzidas por meio de sementes coletadas no Campo Agrostológico da UNEB. As mudas serão feitas em sacos de polietileno de 0,5L. As mudas serão mantidas no Viveiro da UNEB até o momento do transplantio. Antes do transplante as mudas serão aclimatadas para evitar mortalidade.

Mudas de cana de açúcar

A cana (Sarcharum officinarum) é uma das principais plantas forrageiras para reserva estratégica de alimentos, pois tem alta produtividade (que resulta em grande capacidade de suporte forrageiro) e apresenta a qualidade e ponto de corte no período seco sem a necessidade de conservação (fenação ou ensilagem). Entretanto, não existe a introdução de variedades melhoradas na região. Será feito um trabalho de pesquisa nas instituições a respeito de dados que possam ser aplicados à região de trabalho. Uma vez identificadas, as variedades melhoradas serão introduzidas no Campo Agrostológico da UNEB para testes e também distribuídas aos produtores para replicação.

Mudas de palma forrageira

A palma forrageira gigante (Opuntia ficus) e miúda (Nopalea conchinilifera) são plantas altamente resistentes à seca. Quando produzida de forma adensada tem alta produtividade e não tem a necessidade de conservação (fenação ou ensilagem). As mudas serão produzidas no Campo Agrostológico e distribuídas aos produtores.

 

3.1.2 Capacitação dos produtores

            Os produtores serão capacitados por meio de palestras e cursos, utilizando-se de folhetos informativos e apostilas técnicas com as orientações para plantio, conservação e utilização não só das forrageiras introduzidas, mas também das normalmente disponíveis.

A capacitação na reserva de forragem será feita utilizando preferencialmente os recursos oriundos da propriedade e da micro-região. Entretanto, alguns dessas técnicas e recursos merecem destaques como relatados abaixo:

Palma adensada

Será realizada a capacitação para o fornecimento da palma forrageira e a correção com outros alimentos fibrosos e proteicos.

Cana corrigida

Será realizada a capacitação para o fornecimento da palma forrageira e a correção com ureia e sulfato de amônio. A hidrólise de cana com cal microprocessada também será outra técnica difundida.

Kit silagem

Será utilizada dinâmicas práticas de ensilagem de capim com aditivos nutritivos e secos, bem como a difusão do sorgo forrageiro como cultura silageira.

Kit fenação

            Será montado um kit fenação muito barato e prático, com roçadeira costal, ancinho manual e enfardadeira manual bem adequado à agricultura familiar. Será ensinada as técnicas aplicadas na produção de feno com qualidade.

 

3.1.3 Implantação e difusão de tecnologias sociais de convivência com a seca

Após a pesquisa no banco de tecnologias sociais do Banco do Brasil, serão selecionadas as mais aplicáveis na região, as quais serão implementadas e difundidas.

3.2 Ações indiretas

Replicação

Será estimulada a replicação das plantas recebidas e das técnicas de convívio com a seca implementadas nas demais comunidades vizinhas criando um “efeito dominó” da esperança e do bem.

Campanha de popularização da poupança de forragem

Será realizada uma campanha envolvendo todas as mídias disponíveis, as organizações dos agricultores familiares e os movimentos sociais, em conjunto com as instituições governamentais, com a finalidade de que todos se conscientizem sobre o problema e que dominem as práticas da poupança de forragem.

 

4.0 Considerações finais

O Projeto Esperança vai intervir na realidade local, introduzindo plantas forrageiras melhoradas visando contribuir para a poupança de forragem, reduzindo assim os efeitos danosos que a época seca provoca sobre o rebanho e consequentemente os produtores.

Contudo, será necessário a participação e empenho de todas as entidades envolvidas com a agricultura familiar nos diferentes territórios e, em um segundo momento, das prefeituras municipais para realizarmos uma forte e organizada campanha regional para popularizar a poupança de forragem de maneira efetiva a fim de beneficiar a população do campo e das cidades.

 


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